Primavera
Adaptado do romance histórico de Stabat Mater, obra de Tiziano Scarpa de 2008, Primavera, permitiu que o autor de teatro e ópera, Damiano Michieletto,desse seu primeiro passo no cinema.
Talvez seja por isso que o filme está bastante ligado à música.
O longa é ambientado em Veneza, no início do século XVIII e conta uma história concebida por Ludovica Rampoldi e pelo próprio diretor, de maneira que a narrativa se cruza com a vida do mais famoso compositor barroco de todos os tempos, Antonio Vivaldi.
Contudo, não se trata de um filme biográfico de Vivaldi.
O diretor de ópera, Damiano Michieletto, quis levar os primeiros anos de Antonio Vivaldi em Veneza para as telas em Primavera.

(Instagram)
Por isso o filme, combina música barroca, paisagens sonoras modernas e uma história sutilmente radical sobre arte, ambição e inquietação feminina.
Vivaldi foi um compositor que construiu sua obra ligada à sua cidade natal, Veneza.
Sua obra mais conhecida é a série de concertos para violino conhecida como “As Quatro Estações”, que até os dias de hoje é uma das composições mais gravadas e executadas de todos os tempos.
Embora tenha sido ordenado aos 25 anos e recebido o apelido de “Padre Ruivo”, em razão da cor de seus cabelos, a biografia de Vivaldi é menos conhecida pelo público do cinema.
Contudo, com Primavera, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto em setembro de 2025, isso não vai acontecer mais.
Dirigido por Michieletto, que faz sua estreia em longas-metragens, depois de uma premiada carreira de duas décadas encenando óperas, o filme é uma adaptação do romance Stabat Mater, de Tiziano Scarpa.
Estrelado por Michele Riondino como Vivaldi, o filme se concentra em um período anterior à composição de As Quatro Estações, quando o compositor se juntou ao Ospedale della Pietà, em Veneza, uma fundação criada para cuidar de crianças abandonadas e órfãs.
Ambientada em 1716, a história de Primavera mostra Vivaldi encontrando inspiração em seu relacionamento com Cecilia (Tecla Insolia), uma violinista virtuosa a quem ele dá aulas.
Para Michieletto, a personagem fictícia Cecilia é uma referência a Anna Maria de la Pietà, a violinista a quem Vivaldi dedicou 28 concertos para violino.
Em muitos aspectos, o filme é menos um retrato de Vivaldi do que uma representação de uma época em que as mulheres praticamente não tinham poder de decisão.
Prestes a se casar com um soldado, o que interromperia sua carreira musical, Cecilia percebe, ao conviver com Vivaldi, que a vida oferece mais do que o papel de esposa obediente.
Mas, é claro, seu pensamento é silenciado pelo patriarcado, acrescenta Michieletto.
Primavera
Direção: Damiano Michieletto
Duração: 111 min – 14+
Gênero: biografia, drama, histórico, musical
País de origem: Itália/França
Herança de Narcisa
Herança de Narcisa chega aos cinemas com um gênero pouco usado no cinema nacional.
O longa trata de Ana, Paolla Oliveira, que está assombrada pelas memórias de sua recém-falecida mãe.
Para isso, resolve vender o casarão de infância, que herdou da própria mãe falecida, a fim de dividir o dinheiro com o irmão.
Só que o inesperado acontece: no processo de preparação do imóvel, Ana descobre que sua herança é um tanto diferente.
Fazendo forte relação à citação de Carl Jung, que já começa no início do filme, já se percebe a junção entre o consciente e inconsciente como eixo narrativo.
A protagonista Ana, bem como a ex-vedete, vividas por Paolla Oliveira, inicia sua luta entre recordações, traumas e sentimentos mal resolvidos, ao retornar à casa, depois da morte da mãe, a ex-vedete.

(AdoroCinema)
O que poderia ser um resgate de saudades e lembranças da infância, se torna que não será nada bom.
A estrutura narrativa se baseia na figura carismática da protagosnista e se constrói numa espécie de monólogo.
Outro ponto interessante a se notar, e isso também se faz pela interpretação de Paola de Oliveira, em cujas expressões não se revela por palavras, mas por seus gestos, mas também pela trilha sonora que se torna o elemento que configura o filme como “terror”.
A narrativa não se intimida ao mostrar a figura materna como simbolo de terror e de trauma.
Será então que é possível esquecer o passado e passar a compreendê-lo, uma vez que o passado não deixa de ser uma herança?
Herança de Narcisa não é apenas um drama pessoal, é vivido por muitas mulheres e consegue atravessar o tempo.
Herança de Narcisa
Diretor: Clarissa Appelt e Daniel Dias
Elenco: Paolla Oliveira, Rosamaria Murtinho, Pedro Henrique Müller, Elvira Helena
Gênero: Terror
Roteiro: Clarissa Appelt e Daniel Dias
Trilha sonora: Marcelo Conti
Duração: 84 minutos Ano: 2026 14+
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