Domínio público / Reprodução histórica
Jane Austen escreveu apenas seis romances durante sua vida. Dos seis, quatro foram publicados enquanto ela estava viva, e dois postumamente. E hoje, depois de 250 anos, há ainda uma série de adaptações de suas histórias. Há alguns autores que se mantêm fiéis ao texto original, outros simplesmente se inspiram nas histórias, criando romances para cenários contemporâneos.

- Orgulho & Preconceito
- Jane Austen
- Edição Luxo
- Coleção Clássicos de Ouro
- Novo Século/Pandorga
- Edição: 1ª
- Idioma: Português
- Número de páginas: 384 páginas
A autora, Jane Austen
Um dos romances mais conhecidos da autora é Orgulho e Preconceito. Publicado pela primeira vez em 1813, é considerado obra-prima da escritora Jane Austen, (nascimento- Steventon, Inglaterra, 1775, falecimento – Winchester, Inglaterra,1817). Austen talvez seja uma das escritoras inglesas mais conhecidas no mundo inteiro; seus livros são clássicos da literatura em vários países. No final do século XVIII, não era comum as meninas frequentarem escola formal, contudo sua família priorizava a leitura, as letras e a aprendizagem e, seguramente, essa formação lhe ajudou a revelar seu talento.
Jane Austen morreu jovem, aos 41 anos em 1817. A causa exata da morte permanece um mistério e não há consenso definitivo. Na época, a falta de exames não permitia diagnósticos precisos. No entanto, o linfoma de Hodgkin é frequentemente citado como a causa mais provável de seu falecimento.
A autora nunca se casou; talvez porque, em sua época, o casamento muitas vezes significava o fim da independência. Como retratado em seus romances, a vida doméstica, os filhos, ou seja, o que era esperado de uma mulher casada não daria a ela tempo para se dedicar à escrita, tampouco haveria incentivo. Mas a autora tinha sua família que apoiava sua escrita, e seus livros são um legado precioso, especialmente pelo caráter feminista, inédito para a época.
Jane Austen e alguns de seus romances
- Razão e sensibilidade é seu primeiro romance, publicado anonimamente em 1811.
- Persuasão é o último romance concluído pela autora. Foi publicado em 20 de dezembro de 1817, juntamente com A Abadia de Northanger, seis meses após sua morte.
- Orgulho e Preconceito é considerada uma das obras mais conhecidas da autora, com diversas adaptações para o cinema e para a televisão. É o segundo romance publicado pela autora, escrito quando ela tinha entre 20 e 21 anos, e publicado em 1813.
Enredo de Orgulho e Preconceito
No romance, Austen conta a história da família Bennet, composta por marido, mulher e cinco filhas (Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia). A família vive em uma zona rural na Inglaterra do século XIX, mesma época na qual o romance chegou ao público pela primeira vez. A mãe das cinco meninas, Mrs. Bennet, tem como única preocupação na vida casar as filhas.
Talvez porque nesta época, uma mulher sem um marido e sem nenhum filho homem não receberia recursos das leis inglesas da época, ou seja, todas suas filhas ficariam desamparadas financeiramente. Por essa forte razão, um casamento abastado era a única saída para uma vida tranquila e confortável. Das filhas da Mrs. Bennet a que merece destaque é a protagonista Elizabeth, a segunda filha.
Elizabeth Bennet, para desespero de sua mãe, é diferente de suas outras irmãs e não está preocupada com casamento. A garota Lizzie (apelido de Elizabeth) possui uma personalidade forte, bem como são fortes suas convicções. Além disso, Lizzie é orgulhosa e carrega duras críticas quanto às convenções sociais de sua época e, por isso, tem outras ambições para si, que estão muito longe do esperado papel de esposa e mãe.
O desfecho
O eixo narrativo surge com a chegada de dois jovens solteiros e ricos à pequena cidade interiorana; Mr.Bingley e Mr.Darcy. A chegada dos dois agitam a família Bennet a tal ponto que a mãe vê a perfeita oportunidade de casar bem as filhas, fazendo de tudo para que as famílias se aproximem.
Para tanto, a mãe das garotas chega a ultrapassar o rigor da etiqueta e tem atitudes bastante questionáveis para um comportamento feminino esperado da época. O Jovem Mr. Bingley se apaixona pela filha mais velha, Jane, menina tímida que também se encanta por ele. Até esse ponto da narrativa, tudo parece se encaminhar muito bem, até que por influência de sua irmã e pelos conselhos de seu amigo, Bingley se afasta e sai da cidade sem qualquer explicação, deixando Jane arrasada.
Por outro lado, Mr. Darcy apaixona-se apaixona por Lizzie. Contudo, o jovem é preconceituoso em relação às origens humildes da moça e, por essa razão e pela sua arrogância, o romance entre os dois não acontece, principalmente depois que Lizzie descobre que ele ajudou Bingley a se afastar de sua irmã. A narrativa caminha e apresenta um contexto social no qual o casamento era crucial para o futuro das mulheres.
A trama ganha destaque por seus mal-entendidos, conflitos sociais e o confronto de personalidades, culminando em revelações e no reconhecimento do verdadeiro caráter de cada um, resultando em casamentos felizes para Jane e Elizabeth, e um olhar crítico sobre a sociedade da época. O auge da narrativa acontece no capítulo 33, no qual estão as páginas mais bonitas do romance, porque, na verdade, é o momento em que Mr. Darcy se declara para Elizabeth e a pede em casamento.
A declaração de Mr. Darcy
“Enquanto assim pensava, foi subitamente despertada pelo som da campainha da porta. A princípio ficou um pouco emocionada com a ideia de que pudesse ser o coronel Fitzwilliam, que já uma vez aparecera bastante tarde, e que agora viesse saber notícias dela. Esta ideia, porém, foi logo banida e a emoção inteiramente diversa quando viu, para sua imensa surpresa, o Sr. Darcy avançar pela sala. Um pouco em atropelo, ele fez-lhe várias perguntas sobre a sua saúde, atribuindo a sua visita ao desejo de a vir encontrar um pouco melhor. Ela respondeu-lhe com fria amabilidade. Darcy conservou-se sentado durante alguns instantes e depois, levantando-se, pôs-se a passear pela sala. Elizabeth estava espantada, mas nada disse. Após um silêncio de alguns minutos, aproximou-se, agitado, e disse:
– Em vão tenho lutado, mas de nada serve. Os meus sentimentos não podem ser reprimidos e permita-me dizer-lhe que a admiro e a amo ardentemente.
Elizabeth ficou abismada. Olhou-o fixamente, corou, duvidou e não pronunciou palavra. O Sr. Darcy viu nisso um encorajamento e fez-lhe a confissão de tudo o que ele sentia e desde quando ele o sentia. Ele exprimiu-se bem, mas através das suas palavras outros sentimentos podiam ser percebidos, além dos do coração, e ele não falava com maior eloquência da sua ternura do que do seu orgulho. O sentimento da inferioridade de Elizabeth, do rebaixamento que aquele amor representava, os obstáculos da família que a razão sempre opusera à inclinação, foram descritos com um ardor que provinha do triunfo da sua afeição, mas que recomendava pouco as suas pretensões.”

O legado
Orgulho e Preconceito, apesar de ter sido escrito no século XIX, ainda traz para os dias de hoje questões muito atuais relacionadas ao amor e ao papel da mulher dentro da sociedade. Jane Austen não foi só uma escritora que falava de amores, livros, bailes e música.
Além de suas protagonistas serem mulheres, Austen conseguiu usar a ironia com tanta sutileza que foi aceita universalmente no século XVIII e XIX, escondendo certas críticas e “impondo” suas opiniões em diversas situações, mostrando as diferenças econômicas, e principalmente o papel da mulher naquele contexto social do século XVIII.
Conclusão
A pena de Jane Austen é carregada de sensibilidade. Não somente Orgulho e Preconceito, mas também seus outros romances exploraram a situação difícil da mulher. Suas obras sempre denunciaram o tempo e a sociedade inglesa do século XIX. Ao revelar as situações e sentimentos que suas heroínas vivenciavam em sua época, o livro se torna atual, porque muita coisa acontece nos nossos dias.
Por outro lado, Jane Austen também nos revela o que de mais bonito existe no ser humano: sentimentos intensos de amor e amizade e a busca pela felicidade. O melhor em ler Orgulho e Preconceito é acompanhar uma narrativa que nos encanta, porque mostra que as histórias são sempre sobre amor, mas também não só sobre isso; falam sobre dinheiro, interesse, orgulho, decepção e arrependimento.
Histórias que podem até soar como pueris, mas com uma grande capacidade de revelar um mundo extraordinário que é a vida que nos surpreende a cada instante.

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